Ordem de nascimento dos dentes do bebê: idade e tabela completa

A ordem de nascimento dos dentes do bebê costuma seguir este padrão: incisivos centrais inferiores entre 6 e 10 meses, incisivos centrais superiores entre 8 e 12 meses, incisivos laterais até cerca de 16 meses, primeiros molares entre 13 e 19 meses, caninos entre 16 e 23 meses e segundos molares entre 23 e 33 meses. Ao todo nascem 20 dentes de leite, e a dentição costuma ficar completa por volta dos 3 anos. Pequenas variações são normais.
Cada criança tem seu próprio ritmo, e o calendário serve como referência. Um bebê pode ganhar o primeiro dente aos 4 meses e outro só depois do primeiro aniversário, e os dois continuam dentro do que os dentistas consideram saudável. Acompanhar essa fase com calma, aliviar o incômodo com medidas seguras e começar a limpeza cedo são as bases da saúde bucal infantil nos primeiros anos de vida.
Qual é a ordem de nascimento dos dentes do bebê
Os dentes de leite começam a se formar muito antes do parto. Por volta da sexta semana de gestação surgem os primeiros germes dentários dentro dos ossos da maxila e da mandíbula, e a mineralização das coroas começa ainda no quarto mês de gravidez. Quando o bebê nasce, os 20 dentes decíduos, nome técnico da dentição de leite, já estão parcialmente formados e escondidos sob a gengiva, esperando o momento de romper.
A erupção costuma acontecer aos pares, um de cada lado da boca, e quase sempre os dentes de baixo saem um pouco antes dos de cima. A sequência mais comum começa pelos dois incisivos centrais inferiores, os dentes da frente, embaixo. Em seguida vêm os quatro incisivos superiores, primeiro os centrais e depois os laterais. Os incisivos laterais inferiores completam o grupo de oito dentes da frente, geralmente perto do primeiro aniversário.
Um detalhe costuma surpreender os pais: os primeiros molares nascem antes dos caninos. Entre 13 e 19 meses aparecem os dentes largos do fundo da boca, deixando um espaço vazio entre eles e os incisivos. Esse intervalo é preenchido pelos caninos, que surgem entre 16 e 23 meses. Por último nascem os segundos molares, entre 23 e 33 meses, fechando a dentição de leite com 10 dentes em cima e 10 embaixo.
Os espaços entre os dentes de leite, que muitos pais estranham, são normais e até desejáveis. Os dentes permanentes são maiores, e essas folgas ajudam a acomodá-los quando as trocas começarem, por volta dos 6 anos.
Tabela de nascimento dos dentes de leite por idade
A tabela abaixo reúne as faixas de idade usadas como referência internacional pela odontopediatria. A última coluna mostra quando cada dente costuma cair para dar lugar ao permanente.
| Dente | Arcada superior (nasce) | Arcada inferior (nasce) | Quando costuma cair |
|---|---|---|---|
| Incisivo central | 8 a 12 meses | 6 a 10 meses | 6 a 7 anos |
| Incisivo lateral | 9 a 13 meses | 10 a 16 meses | 7 a 8 anos |
| Primeiro molar | 13 a 19 meses | 14 a 18 meses | 9 a 11 anos |
| Canino | 16 a 22 meses | 17 a 23 meses | 9 a 12 anos |
| Segundo molar | 25 a 33 meses | 23 a 31 meses | 10 a 12 anos |
Para quem prefere acompanhar fase a fase, a segunda tabela mostra quantos dentes o bebê costuma ter em cada período.
| Idade aproximada | Dentes que costumam nascer | Total aproximado na boca |
|---|---|---|
| 6 a 10 meses | Incisivos centrais inferiores | 2 |
| 8 a 12 meses | Incisivos centrais superiores | 4 |
| 9 a 16 meses | Incisivos laterais superiores e inferiores | 8 |
| 13 a 19 meses | Primeiros molares | 12 |
| 16 a 23 meses | Caninos | 16 |
| 23 a 33 meses | Segundos molares | 20 |
Uma regra prática ajuda a conferir se o ritmo está dentro do esperado até os 2 anos: subtraia 6 da idade em meses, e o resultado se aproxima do número de dentes. Um bebê de 12 meses teria cerca de 6 dentes, e um de 18 meses, cerca de 12. A conta é aproximada, e diferenças de alguns dentes para mais ou para menos não indicam problema.
Sinais de que o dente do bebê vai nascer
Os sinais de que um dente está a caminho podem aparecer dias ou algumas semanas antes de a gengiva romper. O mais visível é a salivação intensa: o bebê baba mais, molha a roupa e pode ter pequenas assaduras no queixo e no pescoço. A produção de saliva também aumenta naturalmente por volta dos 3 a 4 meses, antes de qualquer dente estar próximo, o que leva muitos pais a achar que a dentição começou cedo demais.
Outro sinal clássico é a vontade de morder tudo. A pressão do dente contra a gengiva provoca um incômodo que diminui quando o bebê aperta objetos, os próprios dedos ou o peito durante a mamada. A gengiva no local fica inchada e avermelhada, e às vezes dá para ver ou sentir um ponto esbranquiçado pouco antes de o dente aparecer. As fotos da gengiva do bebê quando vai nascer dente ajudam a reconhecer cada etapa.
Irritabilidade, choro mais frequente, sono agitado e o hábito de esfregar a bochecha ou puxar a orelha do mesmo lado também aparecem com frequência. Alguns bebês comem menos por alguns dias, principalmente alimentos que exigem mastigação. Em certos casos surge uma pequena bolha arroxeada ou azulada sobre o ponto onde o dente vai sair, chamada de hematoma ou cisto de erupção. Ela costuma desaparecer sozinha quando o dente atravessa a gengiva.
A temperatura pode subir de leve, ficando abaixo de 38 °C. Febre acima disso, diarreia com várias evacuações, vômitos, manchas pelo corpo ou prostração não se explicam pela dentição e precisam de avaliação do pediatra, porque podem indicar uma infecção que coincidiu com a fase dos dentes. O texto sobre febre de dente explica quanto tempo esse aumento de temperatura dura e como diferenciá-lo de outras causas.
Como aliviar o incômodo da dentição agora
O desconforto mais forte costuma durar poucos dias para cada dente, e medidas simples em casa resolvem a maior parte dos casos. A primeira delas é a massagem na gengiva: com as mãos bem lavadas, pressione suavemente o local inchado com a ponta do dedo, uma gaze ou uma dedeira de silicone umedecida em água filtrada. A pressão leve alivia a sensação de tensão e ainda acostuma o bebê a ter a boca tocada, o que facilita a escovação mais tarde.
O frio também ajuda. Mordedores de silicone ou de borracha atóxica podem ficar na geladeira por algum tempo antes de serem oferecidos. Evite o congelador: o mordedor muito gelado endurece, pode machucar a gengiva e causar lesão pelo frio nos lábios. Uma fralda de pano limpa, umedecida e resfriada na geladeira é outra opção barata e segura, sempre com um adulto por perto.
Para bebês que já começaram a alimentação complementar, a partir dos 6 meses, alimentos frios e macios oferecidos em formato adequado à idade, como fruta resfriada amassada, trazem conforto. Pedaços duros, cenoura crua inteira e biscoitos pedem cuidado por causa do risco de engasgo. Biscoitos doces e açúcar em geral devem ficar de fora: o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, recomenda não oferecer açúcar nessa faixa etária.
Enxugue a baba com frequência usando um pano macio, sem esfregar, e passe uma camada fina de creme de barreira na pele do queixo se surgir vermelhidão. Quando a baba escorre em excesso por muitos meses, fora dos períodos de erupção, vale comentar com o pediatra.
Afaste mordedores e brinquedos com peças pequenas, partes que se soltam ou líquido de origem desconhecida, e lave tudo com água e sabão diariamente. Confira a integridade do mordedor antes de cada uso e descarte o que estiver rachado.
Colo e carinho fazem parte do alívio. Manter a rotina de sono, oferecer o peito com mais frequência quando o bebê mama no seio e distrair com brincadeiras costumam reduzir a irritação nos dias mais difíceis.
Quando a ordem de nascimento dos dentes do bebê muda
Pequenas trocas na sequência são comuns e raramente têm importância clínica. Os incisivos superiores podem aparecer antes dos inferiores, um lateral pode chegar antes do central ou um lado da boca pode sair na frente do outro. Se os dentes nascem com formato normal e dentro das faixas de idade da tabela, a ordem exata faz pouca diferença para a saúde da criança.
A causa mais frequente de dentes precoces ou tardios é a herança familiar. Pais que tiveram dentição tardia costumam ter filhos com o mesmo padrão. A prematuridade e o baixo peso ao nascer também atrasam a erupção, e nesses casos os profissionais usam a idade corrigida, contada a partir da data prevista para o parto, para avaliar se o ritmo está adequado.
Algumas condições de saúde interferem no calendário. Alterações da tireoide, como o hipotireoidismo congênito, deficiências nutricionais importantes, como a falta de vitamina D, e síndromes genéticas, entre elas a síndrome de Down, costumam atrasar a erupção. Doenças raras, como a displasia cleidocraniana e a displasia ectodérmica, podem causar atraso acentuado ou ausência de dentes. Quando existe algum desses diagnósticos, o acompanhamento com odontopediatra desde cedo facilita o planejamento.
No outro extremo estão os dentes natais, presentes já no nascimento, e os neonatais, que surgem no primeiro mês de vida. Eles aparecem em cerca de 1 a cada 2.000 a 3.000 recém-nascidos, geralmente na região dos incisivos inferiores. Na maioria das vezes são dentes de leite adiantados, e o dentista avalia se estão firmes, se machucam a língua do bebê ou o seio da mãe e se há risco de se soltarem e serem aspirados.
De modo geral, a ausência de qualquer dente até 12 ou 13 meses merece uma conversa na consulta de rotina. Nenhum dente aos 18 meses pede investigação com exame clínico e, se o profissional indicar, radiografia.
Remédios e pomadas para dentição: o que é seguro
A maioria dos bebês atravessa a dentição sem remédio. Quando a dor atrapalha o sono e a alimentação mesmo com massagem e mordedor frio, o pediatra ou o odontopediatra pode indicar um analgésico comum. Os mais usados em crianças no Brasil são o paracetamol e a dipirona em gotas, além do ibuprofeno, que pela bula só é liberado a partir dos 6 meses. A bula da dipirona contraindica o uso em bebês com menos de 3 meses ou menos de 5 kg. A dose infantil é calculada pelo peso da criança e deve ser definida pelo pediatra ou pelo odontopediatra, assim como o intervalo entre as doses. Não alterne nem combine medicamentos por conta própria, e consulte o dentista ou o pediatra antes de oferecer qualquer um deles.
Pomadas e géis anestésicos vendidos para dentição merecem atenção. Produtos com benzocaína não são recomendados para crianças menores de 2 anos por causa do risco de metemoglobinemia, uma alteração rara e grave que reduz o transporte de oxigênio no sangue. O efeito anestésico dura poucos minutos, porque a saliva remove o gel rapidamente, e a substância pode adormecer a garganta e atrapalhar a deglutição. Géis com lidocaína seguem a mesma cautela e só devem ser usados com prescrição.
A erupção dos dentes, por si só, não exige antibiótico. Se o pediatra suspeitar de uma infecção associada, ele define o tratamento, e antibiótico só deve ser dado com prescrição.
Colares de âmbar, muito divulgados nas redes sociais como calmantes para a dentição, não têm comprovação científica e oferecem risco de estrangulamento e de engasgo com as contas. Pediatras e a FDA, agência americana equivalente à ANVISA, desaconselham o uso. O mesmo cuidado vale para pulseiras de dentição, tabletes homeopáticos sem orientação e mel passado na gengiva, contraindicado antes de 1 ano pelo risco de botulismo. Cachaça, açúcar e receitas caseiras aplicadas na gengiva também estão fora de cogitação.
Como cuidar dos primeiros dentes desde o início
A limpeza da boca pode começar antes do primeiro dente. Uma vez ao dia, de preferência à noite, passe uma gaze ou fralda limpa umedecida em água filtrada sobre a gengiva, a língua e a parte interna das bochechas. O hábito remove resíduos de leite e deixa a criança acostumada ao toque.
Quando o primeiro dente rompe a gengiva, entra a escova. Escolha uma escova infantil de cerdas extramacias e cabeça pequena, adequada à idade, e escove duas vezes ao dia, com atenção especial à escovação antes de dormir. O creme dental deve ter flúor, com pelo menos 1.000 ppm, na quantidade de um grão de arroz cru até os 3 anos. Essa porção mínima protege contra a cárie e reduz o risco de fluorose caso a criança engula. O passo a passo para escovar dente de bebê mostra as posições mais confortáveis para os pais.
A alimentação pesa tanto quanto a escovação. Evite deixar o bebê dormir com mamadeira de leite, suco ou chá adoçado, porque o líquido fica parado sobre os dentes durante a noite e alimenta as bactérias que causam a cárie de mamadeira. Suco não precisa entrar na rotina antes de 1 ano, e o açúcar deve ser evitado até os 2 anos. Depois das mamadas noturnas, passar uma gaze úmida nos dentes ajuda a reduzir o risco.
Assim que dois dentes se encostarem, o fio dental passa a fazer parte da limpeza, porque a escova não alcança a superfície de contato entre eles. Nos bebês, a tarefa fica toda com os adultos. A criança só consegue escovar sozinha com boa técnica por volta dos 6 a 8 anos, e até lá a supervisão continua.
A primeira visita ao dentista deve acontecer quando nasce o primeiro dente ou, no máximo, até o primeiro aniversário. Nessa consulta, o odontopediatra examina a erupção, orienta sobre flúor, alimentação e hábitos como chupeta e sucção do dedo, e identifica cedo manchas que indicam cárie. O texto sobre a primeira consulta com o dentista explica como preparar a criança para esse momento.
O atendimento odontológico infantil é gratuito no SUS, pelas equipes de saúde bucal das Unidades Básicas de Saúde. Planos odontológicos costumam cobrir consultas preventivas e aplicação de flúor em crianças. Na rede particular, uma consulta com odontopediatra custa em média entre R$ 150 e R$ 400 em 2026, com variação conforme a cidade e a clínica.
Quando procurar o dentista
Algumas situações pedem avaliação do odontopediatra sem esperar a consulta de rotina. Procure atendimento se o bebê completar 12 a 13 meses sem nenhum dente, e com mais prioridade se chegar aos 18 meses sem erupção. A mesma orientação vale para dentes que nascem com formato muito diferente, com manchas ou falhas no esmalte, ou quando a quantidade de dentes parece bem menor do que o esperado para a idade.
Dentes natais ou neonatais que estão moles, que ferem a língua do bebê ou que dificultam a amamentação precisam de avaliação logo nos primeiros dias, porque um dente solto pode ser aspirado. Uma bolha arroxeada na gengiva que cresce, sangra bastante ou continua no lugar por várias semanas também deve ser examinada.
Leve a criança ao pediatra no mesmo dia em caso de febre de 38 °C ou mais, diarreia persistente, vômitos, recusa de líquidos, fraldas secas por muitas horas, moleza incomum ou choro inconsolável. Esses sinais sugerem outra doença e exigem diagnóstico.
Procure o dentista também quando aparecerem manchas brancas opacas ou marrons perto da gengiva, sinal inicial de cárie, inchaço com pus, dente que escureceu depois de uma queda ou qualquer trauma na boca. Entre 1 e 2 anos, quando a criança aprende a andar, as quedas com batida nos dentes da frente são frequentes e merecem avaliação mesmo sem sangramento aparente.
Perguntas frequentes
Com quantos meses nasce o primeiro dente do bebê?
O primeiro dente costuma nascer entre 6 e 10 meses, e geralmente é um incisivo central inferior. Alguns bebês ganham o primeiro dente aos 4 meses e outros só depois dos 12, sem que isso represente problema. Se a criança chegar aos 13 meses sem nenhum dente, vale comentar na consulta, e aos 18 meses sem erupção o odontopediatra deve investigar a causa.
Qual dente nasce primeiro, o de cima ou o de baixo?
Na maioria dos bebês, os dentes de baixo saem primeiro. Os dois incisivos centrais inferiores abrem a sequência, seguidos pelos incisivos centrais superiores algumas semanas ou meses depois. Quando os de cima aparecem antes, trata-se de uma variação comum e sem consequência para a saúde bucal, desde que os dentes tenham formato normal e nasçam dentro das faixas de idade esperadas.
Nascimento dos dentes dá febre e diarreia?
A dentição pode causar um aumento discreto da temperatura, abaixo de 38 °C, e alguns bebês têm fezes um pouco mais amolecidas nesses dias. Febre de 38 °C ou mais, diarreia com várias evacuações por dia ou vômitos devem ser avaliados pelo pediatra, porque é comum uma virose ou outra infecção coincidir com a fase de erupção dos dentes.
É normal o bebê fazer 1 ano sem nenhum dente?
Pode ser normal, principalmente quando os pais também tiveram dentição tardia ou quando o bebê nasceu prematuro. Mesmo assim, vale mencionar o fato na consulta com o odontopediatra, que examina a gengiva e confere o desenvolvimento geral. Se nenhum dente aparecer até os 18 meses, o profissional investiga causas como alterações da tireoide, deficiências nutricionais ou ausência dos germes dentários, visível em radiografia.
Quantos dentes de leite a criança tem?
A dentição de leite completa tem 20 dentes: 10 na arcada superior e 10 na inferior. Em cada arcada há 4 incisivos, 2 caninos e 4 molares. Esse conjunto costuma estar completo entre 2 anos e meio e 3 anos. A troca pelos permanentes começa por volta dos 6 anos, e a dentição adulta chega a 32 dentes, contando os sisos.
Posso colocar o mordedor no congelador?
O mais seguro é deixar o mordedor apenas na geladeira. No congelador o material endurece, a superfície fica gelada demais e pode machucar a gengiva sensível ou causar lesão pelo frio nos lábios. Escolha mordedores de silicone ou borracha atóxica, sem peças que se soltem, confira se estão íntegros antes de cada uso e lave com água e sabão todos os dias.
Leia também: Saúde bucal infantil: guia completo
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