A disfagia é um termo que costuma gerar preocupação logo no primeiro contato.
Afinal, ela está diretamente relacionada à dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva.
Embora muitas pessoas associem este problema apenas a doenças graves, a verdade é que esse problema pode ter diferentes causas, graus e origens — inclusive relacionadas à saúde bucal.
Em muitos casos, este problema surge de forma sutil, começando com a sensação de que a comida “não desce direito” ou de que algo fica preso na garganta.
Com o tempo, no entanto, os sintomas podem se intensificar, afetando a alimentação, a hidratação e a qualidade de vida.
Neste artigo, você vai entender este distúrbio da deglutição, quais são os principais sintomas, as causas mais comuns, como a boca e a língua influenciam esse processo e, principalmente, quando procurar ajuda profissional.
O que é disfagia?
A disfagia é a dificuldade ou incapacidade de engolir de forma eficiente e segura.
Esse problema pode ocorrer em diferentes etapas da deglutição, desde a boca até o esôfago.
De forma geral, a deglutição envolve três fases:
- Fase oral (boca e língua)
- Fase faríngea (garganta)
- Fase esofágica
Este comprometimento da deglutição pode afetar uma ou mais dessas etapas, dependendo da causa.
Quando a dificuldade está relacionada à boca ou à língua, o papel do cuidado odontológico se torna ainda mais relevante.
Disfagia é doença ou sintoma?
Essa é uma dúvida comum.
A disfagia não é uma doença em si, mas um sintoma que pode estar associado a diferentes condições de saúde.
Por isso, identificar a origem do problema é fundamental para um tratamento adequado.
Em outras palavras, esta alteração da deglutição funciona como um sinal de alerta de que algo no processo de deglutição não está funcionando corretamente.
Principais sintomas da disfagia
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são bastante frequentes. Entre eles:
- Dificuldade para engolir alimentos sólidos
- Sensação de comida presa na garganta
- Engasgos frequentes
- Tosse ao comer ou beber
- Dor ao engolir
- Necessidade de beber líquido para ajudar a engolir
Além disso, pessoas com esta sensação de comida parada na garganta podem evitar certos alimentos por medo de engasgar, o que compromete a nutrição ao longo do tempo.
Disfagia oral: quando o problema começa na boca
A disfagia oral ocorre quando a dificuldade está na fase inicial da deglutição, ou seja, na boca. Nesse estágio, dentes, gengivas e língua desempenham um papel essencial.
Entre as causas mais comuns dela, estão:
- Falta de dentes ou próteses mal adaptadas
- Dor ao mastigar
- Alterações na língua
- Acúmulo excessivo de placa bacteriana
Se você quer entender melhor como a língua pode influenciar esses quadros, vale conferir:
👉 Conheça as principais doenças da língua e saiba como evitá-las
Qual a relação entre língua e este transtorno?
A língua é responsável por organizar o alimento dentro da boca e empurrá-lo em direção à garganta.
Quando há alterações na língua — como dor, inflamação, saburra intensa ou mobilidade reduzida — o risco de engasgos frequentes ao comer aumenta.
Além disso, uma língua com excesso de resíduos pode interferir na sensibilidade oral, dificultando o controle do alimento durante a deglutição.
Por isso, manter a língua limpa e saudável é um cuidado simples que ajuda na prevenção.
Disfagia pode estar ligada ao sono?
Sim. Em alguns casos pode estar associada a distúrbios do sono, principalmente quando há alterações respiratórias e musculares.
Pessoas com apneia, por exemplo, podem apresentar mudanças na musculatura da garganta, o que impacta tanto a respiração quanto a deglutição.
Principais causas da disfagia
As causas são variadas e podem ser classificadas em diferentes grupos.
1. Causas neurológicas
- AVC
- Doença de Parkinson
- Alzheimer
- Esclerose múltipla
Essas condições afetam a coordenação muscular necessária para engolir.
2. Causas musculares
Fraqueza ou alterações nos músculos da boca e da garganta podem dificultar a deglutição, favorecendo quadros desta condição.
3. Causas estruturais
- Inflamações
- Tumores
- Estreitamentos no esôfago
4. Causas relacionadas à saúde bucal
- Dor ao mastigar
- Infecções na boca
- Falta de higiene adequada
Nesse ponto, cuidar da boca faz toda a diferença.
Disfagia em idosos
A disfagia é mais comum em idosos, principalmente devido à perda de força muscular, uso de múltiplos medicamentos e presença de doenças crônicas.
Além disso, problemas bucais não tratados podem agravar as disfunções da deglutição, tornando a alimentação ainda mais difícil nessa fase da vida.
Disfagia em crianças
Embora menos frequente, a disfagia também pode afetar crianças.
Nesses casos, os sinais incluem dificuldade para comer, engasgos constantes e recusa alimentar.
Sempre que houver suspeita de engasgos frequentes ao comer, a avaliação profissional é indispensável para a saúde da criança.
Como é feito o diagnóstico da disfagia?
O diagnóstico da disfagia envolve avaliação clínica detalhada e, em alguns casos, exames específicos.
Dependendo da suspeita, diferentes profissionais podem atuar em conjunto, como médicos, fonoaudiólogos e dentistas.
O objetivo é identificar em qual fase o transtorno orofaríngeo da deglutição se encontra e qual a melhor forma de tratamento.
Tratamento da disfagia
O tratamento da disfagia depende diretamente da causa.
Em linhas gerais, ele pode incluir:
- Ajustes na alimentação
- Exercícios para a musculatura oral
- Tratamento de doenças de base
- Melhoria da saúde bucal
Não existe uma solução única para todos os casos, por isso a abordagem personalizada por um profissional de saúde é essencial.
Higiene bucal e prevenção
Uma boca saudável contribui para uma deglutição mais eficiente.
A higiene bucal inadequada pode aumentar o risco de infecções, inflamações e desconfortos que favorecem a disfagia.
Entre os cuidados recomendados estão:
- Escovação regular
- Limpeza da língua
- Uso de enxaguante bucal suave
Um item que auxilia muito nesse cuidado é o raspador de língua, que ajuda a remover resíduos e melhora a sensibilidade oral, contribuindo indiretamente para a prevenção deste distúrbio.
Além disso, o uso de enxaguante bucal suave complementa a higiene sem causar irritação, especialmente em pessoas com sensibilidade oral.
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Quando procurar ajuda por causa da disfagia?
É fundamental procurar ajuda profissional quando a disfagia:
- Persiste por mais de alguns dias
- Causa perda de peso
- Provoca engasgos frequentes
- Vem acompanhada de dor ou dificuldade respiratória
Quanto mais cedo for investigada, maiores são as chances de controle e melhora do quadro de comprometimento da deglutição.
Disfagia tem cura?
Em muitos casos, sim.
Quando ela está relacionada a causas tratáveis, o controle adequado permite recuperação parcial ou total da função de deglutição.
Mesmo nos casos crônicos, o tratamento ajuda a reduzir riscos e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Dúvidas frequentes sobre disfagia
Disfagia é sempre grave?
Não. A disfagia pode ser leve e transitória, mas nunca deve ser ignorada.
Engasgar às vezes é disfagia?
Nem sempre. Engasgos ocasionais são comuns, mas a repetição frequente pode indicar disfagia.
Disfagia pode piorar?
Sim, especialmente se a causa não for tratada.
A higiene bucal influencia na disfagia?
Sim. Uma boca saudável contribui para um processo de deglutição mais eficiente.
Conclusão
A disfagia é um sintoma que merece atenção, pois interfere diretamente em funções básicas como comer e beber.
Embora tenha múltiplas causas, muitas delas passam pela saúde da boca, da língua e da musculatura oral.
Manter uma boa higiene bucal, observar sinais precoces e buscar ajuda profissional ao primeiro sinal de dificuldade são atitudes fundamentais para prevenir complicações associadas a esta dificuldade para engolir
Cuidar da saúde da boca é, portanto, cuidar também da qualidade da deglutição e do bem-estar geral.






